Agressões a jovens em convento de Famalicão

A Associação Ateísta Portuguesa vem por este meio condenar as alegadas agressões realizadas por falsas freiras num convento em Vila Nova de Famalicão. Mostramo-nos também solidários para com as vítimas destes atos desumanos. Esperamos que estas vítimas, de agressão e escravidão, tenham acompanhamento psicológico e apoio do Estado no que for necessário. Apelamos ainda à Igreja Católica para que também condene publicamente este tipo de ações junto do meio religioso e que denuncie todos os casos semelhantes de que venha a ter conhecimento.

Esta nossa posição surge na sequência da peça jornalística divulgada ontem pela Agência LUSA e o jornal Público, em que se noticiava que está em fase de julgamento o caso que envolveu escravidão e agressões por parte de falsas freiras a jovens mulheres vulneráveis. A peça era intitulada: Escravatura de noviças em convento de Famalicão. Falsa freira admite ter dado “umas chapadas”.

O que está em causa é uma situação sistémica de agressões verbais, físicas e psicológicas, acompanhadas das mais variadas humilhações, reiteradas ao longo de décadas, assim como a prática de escravatura, alegado crime pelo qual os arguidos foram a julgamento. Esta situação é tanto mais grave quanto se sabe que as vítimas eram jovens vulneráveis, de origens humildes e com poucos estudos, e a quem eram confiscados os documentos, lida a correspondência e se impedia o contacto com familiares. Segundo as notícias, uma das vítimas, por não ter conseguido fugir da situação, entrou em depressão e acabou por se suicidar.

Este é um caso que merece total repúdio por parte da sociedade civil e, desejavelmente, também da sociedade eclesiástica. Ao abrigo de uma instituição que prega o amor e a misericórdia, estas jovens viram a sua vida destruída pela violência, pelo ódio e pelo desprezo pela dignidade humana. Esperamos que seja feita justiça.

João Lourenço Monteiro

Presidente