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A AAP exige que o PR receba a Associação Coração Silenciado

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) vem, por este meio, expressar a sua total solidariedade com a Associação Coração Silenciado (ACS), tendo em conta as informações recentemente veiculadas pelos órgãos de comunicação social e manifestar a sua preocupação pela forma como os direitos das vítimas de abuso sexual estão a ser institucionalmente desrespeitados, diminuídos ou megligenciados. 

A ACS apresentou, no passado dia 22 de abril de 2026, um pedido para uma audiência com o atual Presidente da República Portuguesa, António José Seguro. Até ao momento, essa audiência não foi concedida, apesar de ter sido oferecida uma reunião com assessores. É intuito desta associação lutar para que se faça justiça pelas vítimas de abuso clerical sexual em Portugal, cujos crimes não se cingiram a alguns elementos indesejáveis, mas que se revelaram institucionais. A AAP apoia não só a missão da ACS, como exige ao Presidente da República Portuguesa António José Seguro que receba de forma condigna os seus representantes em tempo útil.

Relembramos, antes de mais, que o Estado tem permitido e visto com naturalidade o autopoliciamento da Igreja Católica Portuguesa em matérias de abuso clerical, mantendo-lhe os privilégios incompreensíveis que adquiriu com o Estado Novo, e que se mantiveram à mão de Durão Barroso em 2004. Urge remover esses privilégios, defender de forma veemente as vítimas desta instituição e exigir-lhe responsabilização pelos abusos cometidos pelos seus representantes em Portugal. Não só a Igreja Católica não pode comportar-se como um Estado dentro do Estado, como se torna imperioso que o mais alto representante da República Portuguesa seja um garante da protecção dos cidadãos perante organizações externas, cuja vontade, interesses e valores não podem substituir ou sobrepôr-se à vontade, aos interesses e aos valores da República. 

Relembramos também que, enquanto as vítimas lutavam por justiça, se realizaram as Jornadas Mundiais da Juventude em Portugal, em uso abusivo do erário público, ignorando a sua dor. Volvidos três anos, é o próprio Presidente da República que, um mês após a sua eleição, convida Robert Prevost para uma visita a Fátima já em 2027. Ora, se há tempo para receber o líder de uma instituição que tantas vítimas fez e continua a fazer em Portugal, haverá certamente tempo para receber e dar a devida atenção a quem continua a sofrer, sem ver justiça feita.

             A Associação Ateísta Portuguesa exige ao Presidente da República Portuguesa que receba a Associação Coração Silenciado e que tudo faça para que os seus objetivos sejam cumpridos, sob pena de contribuir para a desresponsabilização coletiva na defesa das vítimas.

A Direção da Associação Ateísta Portuguesa